Brasil

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" Ler é a maior arte. Escrever é o maior dom " Jean

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Poesia de um mendigo














Queria falar, mas ninguém me ouve
Também queria saber quem aqui me trouxe
Eu não tenho voz ativa
Pois ela está totalmente perdida
Ando descalço machucando meu pé
Estou de barriga vazia, mas sou obrigado a ficar em pé
Não sei por que aquela jovem me negou um copo de água
Mas tudo bem, não vou guardar nenhuma mágoa
Quero apenas um pouco de dignidade
Porque não consigo mais viver nessa crueldade
O que eles têm que eu não tenho?
Empenho?
Mas desde cedo eu vendo latinha
Vendo jornais
Sempre sobrevivi sem pedir demais
Ah, será que é porque eu não tenho pais?
Realmente eu não sei o que acontece
Só sei que quando penso muito, logo uma lagrima desce
Mas logo chega a noite e já vou me acomodar
Arrumar um papelão pra poder me deitar
Espero que essa noite esteja quente
Pra não precisar pedir um gole de aguardente
Mas mesmo tomando um gole quando está frio não da pra agüentar
Me dá uma vontade de gritar, chorar, mas não tenho nenhum ombro pra me escorar
Eu sei por que existe trafico de drogas, prostituição
Mas pra quem não conhece nosso dia a dia, não tem nem noção
Acham que é por opção
Eu não faço nada disso, mas não julgo que faz
Tem que analisar o que tem por traz
Finalmente encontrei o que comer
São restos de pães
Mas vão me satisfazer
Não acredito, encontrei um livro
O escritor é alemão, mas me parece ser legal
Nossa realmente o livro é sensacional
Mas porque alguém o jogou?
Não se pode julgar um livro pela capa
Essa pessoa se equivocou
Nossa, é isso, ele está certo
É esse sistema que está incorreto
Não acredito agora eu sei por que sou um mendigo
Obrigado Marx, não sei quem é você
Mas a sua escrita me fez ver
Pena que é tarde pra eu perceber
Quem foi à pessoa maldosa que envenenou aquele pão?
Só pode ser alguém sem coração
Estou me enfraquecendo, caindo ao chão
Justo agora que estava compreendendo o mundão
Achava que o conhecia, mas não conhecia não
Te conheci tarde Marx, mas valeu a pena
Obrigado de novo, vou morrer, mas não com a cabeça pequena.




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